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Redes sociais estão levando mais gente para a internet | 04 novembre 2009

Já se tornou lugar-comum no mundo inteiro dizer que assistimos nos últimos anos a um crescimento muito forte do uso de sites de comunidades. Em todos os continentes, acentua-se hoje uma tendência marcada há uns cinco anos, quando o Brasil saltou na frente, com o Orkut, seguido logo por outros países. Por exemplo, os americanos abraçaram primeiro o MySpace, enquanto os britânicos descobriram antes o gosto pelo Facebook, um site generalista como o Orkut.

 

Além desses, na Europa também se viu nos últimos anos uma corrida a sites generalistas locais de redes sociais. Assistiu-se a isso especialmente na Espanha (Tuenti), na Itália (Splinder), na Alemanha (StudiVZ e Wer-Kennt-Wer), na Bélgica (Netlog), na Holanda (Hyves), na Suécia (LunarStorm), na Noruega (Nettby), na Polônia (Nasza Klasa) e na Rússia (VKontakte).

 

O Facebook prosperou rápido nos países de língua inglesa e na maioria dos lugares em que foi feita a tradução do site para o idioma local. Com isso, até os franceses, que preferiam blogs, adotaram o uso de sites de redes sociais generalistas. O que esses sites mais têm em comum é a capacidade de promover a comunicação, sobrepondo-se a outras formas de relacionamento on-line, como o e-mail.

 

 Independentemente de ser ou não o Facebook a rede local mais popular em determinado lugar, hoje não há dúvida de que esse tipo de site tornou-se a razão para milhões de pessoas sentarem-se na frente de um computador. Isso foi visto em detalhes no Brasil, em 2006, quando os jovens produziram o espetáculo das lan houses, e no ano seguinte incentivaram seus pais a comprar computador e a também fazer uso de ferramentas de comunicação e relacionamento.

 

Sem dúvida, a possibilidade de se relacionar on-line mais facilmente, proporcionada por essas ferramentas e pelos mensageiros instantâneos, ajudou a aumentar muito rapidamente a quantidade de usuários de internet no mundo inteiro e o tempo de permanência dos internautas antigos (os novos já chegam navegando alto). Mesmo nos países já desenvolvidos é possível registrar crescimento recente do número de internautas, sobretudo em residências. (A única exceção vinha sendo a Itália, mas a queda do preço dos computadores neste ano pode reconduzi-la ao crescimento; ainda assim, a estagnação atingia apenas os sites de e-commerce, já que as redes sociais vão muito bem, grazie molte.)

 

Na América Latina, com as redes sociais a internet também está sendo trazida para dentro de casa. Essa é uma verdade promissora para o Peru, por exemplo, que vê seu enorme índice de internautas em locais públicos agora migrar para o local doméstico. O Chile nunca foi o local das lan houses, mas é mais um a crescer forte em casa. Só o Equador parece deslocado: ensaia crescer agora em locais públicos para, depois, seguir a tendência doméstica dos vizinhos. O noticiário que vem desses países indica que enquanto o Facebook avista a hi5 vê-se que há outras redes, como a Taringa, incentivando o uso da internet.

 

Informações semelhantes chegam da Índia, com Orkut e Facebook, enquanto o auspicioso Twitter vira realidade lá assim como cá (auspicioso agora, porque no ano passado eu apostei (errado) que o microblog não ia crescer). A diferença é que o Twitter, diferentemente das redes sociais generalistas, firma-se como o último passatempo dos internautas experientes e não está trazendo gente nova para a internet. E mais nada, já que a retuitagem sistemática só exprime a tautofonia como novidade. (Em setembro, o número de usuários únicos do Twitter no Brasil caiu para 9,2 milhões --- perda de 7% em relação a agosto, um tropeço que pode não significar nada, por enquanto.)

 

Nos Estados Unidos, os joguinhos on-line, uma velha mania de senhoras americanas de baixa renda de cidades pequenas, têm trazido neste momento cada vez mais pessoas com essas características para navegar na internet. Tudo porque passaram a existir nos sites de redes sociais joguinhos como FarmWille (usado pelas senhoras) e, agora, YoVille (mais consumido pelas adolescentes). Elas jogam hoje os jogos sociais muito mais do que quando eram só jogo. Descobriram uma razão para consumir efetivamente internet.

 

A explosão das redes sociais beneficia todo o mercado, já que mais pessoas são atraídas para a internet. O segundo passo de quem conhece a internet por meio de uma rede social é procurar outros conteúdos, como informações, notícias e comércio eletrônico, por exemplo. Mas se novas pessoas chegam à internet trazidas pelos sites de comunidades, em que outras redes sociais estão navegando agora as que foram pioneiras nesses sites?

 

O analista de internet Bill Tancer, em seu recém-lançado 'Click' (Editora Globo, 272 páginas, 36 reais), investigou o perfil dos que usaram primeiro MySpace, Facebook e YouTube. Descobriu que agora esses early adopters, segundo as palavras dele, “deixaram um pouco de lado as redes sociais hoje na moda, como MySpace e Facebook, e passaram a preferir a pequenina rede Orkut (um frangote), do Google, e a rede Imeem, voltada para música”. E concluiu, com sinceridade, que entre os americanos “a presença dos early adopters no Orkut nos diz que o site talvez tenha mais chance que outros de estourar e fazer sucesso”.

 

Mesmo considerando que o Orkut no território americano tem muito de indianos e latinos, essa constatação diz muito sobre popularização e segmentação por influência social que ocorre nas manifestações culturais. E o fundamental: traz os sites de redes sociais para dentro dos estudos culturais, arrastando-os da incompletude de algumas teorias específicas da comunicação, como as que prezam o determinismo tecnológico.

 

Os estudos culturais são a vertente dos estudos da comunicação que tem abrangente e suficiente abertura e versatilidade teórica para ajudar a compreender não só por que mais pessoas estão usando mais a internet para se comunicar por meio de redes sociais. Também tem ecletismo competente para investigar os subjetivos contextos sociais que influenciam a escolha dessas novas ferramentas de comunicar. Afinal, para entender o crescimento do uso da internet (carregado pela comunicação nos sites sociais) parece ser necessário ir além da comunicação e procurar respostas em campos teóricos que tentem explicar toda a dinâmica social.

_________

A editora publicou um capítulo da edição brasileira de 'Click', em seu site, para degustação. A tradução é de Renato Marques de Oliveira

Publié par josenilton à 17:48:36 dans Ciborgue | Commentaires (0) |

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